Olá, leitores(as) da Newsletter RBC! Nesta edição, você vai conhecer mais três pesquisadores da Rede Biota Cerrado na seção “Quem faz Ciência”. Celebramos ainda o Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador. Acompanhe também um pouco da VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica – SOBRE2026, realizada na Universidade de Brasília, e confira as publicações científicas internacionais mais recentes da Rede. Boa navegação!
Na última semana de julho, a VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica – SOBRE2026 reuniu participantes de diferentes regiões do Brasil na Universidade de Brasília (UnB). O evento abordou temas estratégicos para o fortalecimento da restauração dos biomas, como a assistência técnica. Nesta edição, o tema foi “Restauração ecológica: inclusão e justiça climática”, e ampliou o diálogo entre ciência, prática e saberes tradicionais, fortalecendo soluções coletivas para restaurar ecossistemas, enfrentar a crise climática e promover justiça socioambiental. A cobertura completa do evento pode ser acessada no Instagram da Rede Biota Cerrado (@redebiotacerrado) em parceria com empresa independente de comunicação e articulação quilombola Kalunga Comunicações.
Em 8 de julho, a Rede Biota Cerrado celebrou o Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico. Essa data representa a importância da pesquisa científica para o desenvolvimento de soluções para os desafios ambientais. Nossos cientistas desempenham um papel crucial na investigação e compreensão de ecossistemas complexos, na descoberta e no desenvolvimento de novas tecnologias e técnicas de manejo ecológico, sempre em busca da conservação ambiental e da biodiversidade.
Gabriel Henrique de Oliveira Caetano é pesquisador da Coleção Herpetológica de Brasília (UnB) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Biota Cerrado. Egresso da graduação e do mestrado em Ecologia da Universidade de Brasília (UnB), cursou doutorado em Ecologia e Biologia Evolutiva na Universidade da Califórnia (EUA) e desenvolveu estágio de pós-doutorado em Ecologia e Conservação na Universidade Paris-Saclay, na França. Suas principais linhas de pesquisa abrangem a conservação da biodiversidade, a percepção pública sobre o fogo, bioestatística, bioinformática, macroecologia, biogeografia, ecologia de populações, ecofisiologia e mudanças climáticas, com foco na compreensão e conservação da biodiversidade em diferentes contextos ambientais.
A pesquisadora Sula Salani Mota se dedica a desvendar os poríferos e os zoobentos, animais aquáticos primitivos. Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Ceará, mestra e doutora em Ciências Biológicas, desenvolveu parte de seus estudos no Instituto Real Belga de Ciências Naturais. Ela divide sua rotina como professora na Universidade do Distrito Federal (UnDF) e integrante do Laboratório de Bentos na Universidade de Brasília.
Eduardo Bessa integra o quadro de professores efetivos da Universidade de Brasília, estudando o comportamento e a ecologia dos peixes do Cerrado. O pesquisador é graduado em Ciências Biológicas e mestre em Zoologia pela Universidade de São Paulo (USP) e doutor em Biologia Animal pela Universidade Estadual Paulista. Em sua trajetória, desenvolveu estágio de pós-doutorado em Ecologia e Evolução na Universidade de Princeton, em Nova Jersey.
Ameivula ocellifera é uma espécie de lagarto amplamente distribuída no Cerrado, com presença também na Caatinga e em áreas de transição com a Amazônia e o Pantanal. Esse lagarto vive principalmente em ambientes abertos e ensolarados, com solo arenoso e vegetação baixa. Possui corpo esguio, cauda longa e mede entre 15 e 25 cm de comprimento. Suas escamas apresentam pequenos ocelos e manchas arredondadas, que dão um padrão característico à espécie. De hábitos diurnos e extremamente ágil, é frequentemente observada correndo em busca de alimento ou aquecendo ao sol. A alimentação é baseada em insetos, aranhas e outros pequenos invertebrados, desempenhando um importante papel ecológico no controle dessas populações e na manutenção do equilíbrio das cadeias alimentares. Além disso, a ameivula ocellifera é considerada um importante indicador da qualidade ambiental, especialmente nos ecossistemas do Cerrado, onde sua presença reflete condições favoráveis para a conservação da biodiversidade.
🌱 Estudo mapeia a exposição de ilhas às ameaças globais
Publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), esta investigação mostra como
as ilhas estão sendo afetadas por diferentes ameaças ambientais, como as mudanças climáticas, a presença de
espécies invasoras e as alterações no uso da terra. Os resultados apontam que as mudanças climáticas
representam o fator de exposição mais disseminado entre as ilhas analisadas, enquanto as mudanças no uso da
terra destacam-se em diversos arquipélagos já sujeitos a elevada pressão ambiental. Os mapas produzidos
pelos cientistas ajudam a identificar áreas que mais precisam de atenção, contribuindo para o planejamento
de ações de conservação da biodiversidade.
🔗 Acesse o artigo: Global threat exposure of islands in a changing world
🌱 Ciência identifica como o aumento da temperatura transforma as secas na Amazônia
Esta pesquisa publicada pela revista Scientific Reports mostra que as secas na Bacia Amazônica estão se
tornando mais frequentes e intensas. Entre 1980 e 2024, a seca de 2023/2024 foi a mais severa já registrada,
afetando grande parte da região. Os cientistas observaram que, no passado, as secas eram causadas
principalmente pela falta de chuva. No entanto, nos últimos anos, o aumento das temperaturas elevou a
demanda evaporativa da atmosfera, intensificando os períodos de seca. Esse cenário está relacionado às
mudanças climáticas e também à influência das temperaturas dos oceanos, reforçando a necessidade de ações
para compreender e enfrentar os impactos dessas mudanças sobre a Amazônia.
🔗 Acesse o artigo: Temperature-induced shift in 21st-century Amazon droughts
🌱 Pesquisadores registram novos mecanismos de defesa em rãs do Cerrado
Neste artigo da revista Studies on Neotropical Fauna and Environment, os pesquisadores registraram seis
novos comportamentos antipredatórios em duas espécies de rãs do gênero Proceratophrys, típicas do Cerrado. O
estudo mostrou que ambas usam estratégias como inflar o corpo para parecer maiores, mas também recorreram a
táticas distintas. A P. goyana chegou a fingir-se de morta, enquanto P. salvatori liberou secreções pela
pele e cavou para se esconder. Até então, apenas parte das espécies do gênero possuía comportamentos
antipredatórios documentados.
🔗 Acesse o artigo: New records of antipredator mechanisms of two species of
Proceratophrys (Anura: Odontophrynidae) from central Brazilian Cerrado
A Rede Biota Cerrado participa da organização do Workshop da Rede Centro-Oeste de Pesquisa e Pós-Graduação, que será realizado no dia 26 de agosto, das 8h às 12h, no Auditório 1 do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília (UnB). O encontro reunirá pesquisadores, docentes e estudantes para debater temas estratégicos relacionados à biodiversidade, inovação, saúde e sustentabilidade. Um dos destaques da programação será a conferência do cientista britânico Prof. David R. Galbraith, que apresentará a palestra “Seca Limite: Quantificando os limites de resistência hídrica de florestas da borda sul da Amazônia”. Reconhecido por suas pesquisas sobre os impactos das mudanças climáticas na dinâmica das florestas tropicais, o pesquisador compartilhará resultados e perspectivas sobre os limites ecológicos das florestas amazônicas diante do aumento da frequência e intensidade das secas. Além da conferência internacional, o workshop contará com apresentações sobre fitoinsumos, novos materiais para um futuro sustentável, educação em saúde, arboviroses, biodefensivos e bioinsumos, promovendo a integração entre diferentes áreas do conhecimento e fortalecendo a cooperação científica na região Centro-Oeste.
Em 2026, o Intercom Nacional será realizado em duas etapas: remota, de 11 a 14 de agosto, e presencial, de 1º a 5 de setembro, na Universidade Católica de Brasília. Nesta edição, o tema será “Educação midiática para uma geopolítica em transformação”. Durante o evento nacional, é realizado o II Colóquio Brasil-China de Ciências da Comunicação. Além da participação de nossos pesquisadores em grupos de pesquisa, bolsistas do Projeto Associado Engajamento Público com a Ciência e estudantes da Faculdade de Comunicação que desenvolveram projetos em parceria com a RBC concorrem ao Prêmio Expocom Nacional em duas modalidades: categoria Jornalismo, modalidade Reportagem em vídeo/telejornalismo e categoria Rádio, TV e Internet, modalidade Gestão na web/mídias sociais.